Brasileiros terão dura missão pela frente
A trade deadline desta temporada foi a menos movimentada dos últimos anos. Não tivemos nenhuma big trade, nenhum all star mudou de franquia e ninguém deu um grande pulo do gato para se tornar um postulante ao título. Por isso, pelo menos para nós brasileiros, os grandes assuntos desta quinta-feira foram as movimentações envolvendo Leandrinho e Nenê, os dois brasileiros mais bem-sucedidos da história da NBA.

A primeira troca anunciada foi envolvendo o ala-armador. O Toronto Raptors recebeu uma pick de segundo round do Indiana Pacers, que vai contar com o brasileiro para reforçar o banco de reservas. A situação de Leandro Barbosa é dúbia: por um lado, sai de um time fadado a brigar pela first pick, sem nenhuma visibilidade e onde nem sequer conseguia ser titular para ir para um time que certamente estará nos playoffs e, quem sabe, pode tentar surpreender Heat e Bulls, os favoritos do Leste. Por outro, deve perder ainda mais espaço na nova equipe, já que terá a forte concorrência de Darren Collison, Paul George e George Hill, todos mais jovens, talentosos e superiores a ele na defesa.
Os termos dessa negociação aparentemente mostram que Barbosa não tem mais valor na liga, mas isso não é verdade. Leandrinho tem um contrato expirante de US$ 7,6 milhões, mas o Raptors preferiu trocá-lo por nada para liberar espaço em seu cap. O time já sinalizou que deve investir pesado na contratação do ala Wilson Chandler, do Denver Nuggets, que é agente livre restrito na próxima free agency. Abrir mão do brasileiro, portanto, é uma forma de economizar dinheiro para investir futuramente em Chandler. Promessa de mais um daqueles contratos absurdos em breve...
Leandrinho foi um dos tantos jogadores supervalorizados pela dupla Mike D'Antoni e Steve Nash. O brasileiro caiu como uma luva no run'n'gun, já que é um bom arremessador de três pontos, tem muita velocidade e é agressivo nas infiltrações. As boas atuações esconderam defeitos crassos, como a péssima defesa e a dificuldade de jogar no ataque de meia-quadra. Agora, em um time defensivo e com ataque excessivamente engessado, ele vai precisar render o seu melhor para conquistar seu espaço em uma rotação de perímetro forte. Caso consiga mostrar para o técnico Frank Vogel que pode ser um desafogo para o truncado ataque do Pacers, é possível que Barbosa consiga ficar mais de 20 minutos em quadra todas as noites e se torne um reserva importante, especialmente na pós-temporada. Se fracassar nessa tarefa, certamente ficará como uma das últimas opções entre os reservas e estará fadado a encontrar dificuldades para conseguir um bom contrato na próxima free agency.
Nenê vive uma situação diametralmente oposta. Saiu de um time que briga por uma vaga nos playoffs, onde passou os dez anos de sua trajetória na NBA para um dos maiores sacos de pancada da liga, o Washington Wizards, como parte de uma negociação tripla que também envolveu o Los Angeles Clippers. O Denver Nuggets enviou Nenê e recebeu os pivôs Javale McGee e Rony Turiaf; O time da capital americana recebeu, além do brasileiro, o ala Brian Cook e enviou para o Clippers o ala-armador Nick Young.
Nenê havia acabado de receber um enorme contrato para permanecer em Denver e ainda tem US$ 52 milhões a receber nas próximas quatro temporadas. Embora o pivô brasileiro está com a carreira garantida em termos financeiros, vai ser muito difícil conseguir escapar do Wizards nos próximos anos, já que o contrato, claramente supervalorizado, é praticamente impossível de ser trocado novamente, a menos que ele jogue em um nível que nunca alcançou.
Mais do que um elenco limitadíssimo, o novo time de Hilário sofre com uma total e completa falta de direcionamento. Há bons valores por lá que, se bem trabalhados, podem vir a formar um bom time: ninguém duvida que o armador John Wall tem tudo para ser um all star e um dos melhores armadores de sua geração, mas não há um trabalho para que ele desenvolva seu jogo e, por isso, alternado atuações fantásticas com jogos pífios. Jordan Crawford é um scorer atlético e talentoso, mas carece de disciplina tática e melhor seleção de arremessos. O calouro Jan Vesely já deu algumas demonstrações de que pode ser um reboteiro e defensor relevante na NBA, mas ainda não tem condições de ter um papel mais importante na rotação. O Wizards precisa de um técnico capaz de transformar um bando de garotos com bom potencial em um time e de uma liderança técnica e moral dentro de quadra, para guiá-los nos momentos importantes de um jogo.
Nenê, definitivamente, não é esse jogador. Mesmo após a troca de Carmelo Anthony em Denver, quando muitos esperavam que ele se tornasse a principal figura da franquia, o brasileiro nunca exibiu a gana de ser tudo aquilo que pode: uma força ofensiva dentro do garrafão, com capacidade de liderar a pontuação de uma equipe todas as noites. Talvez agora que está abandonado em um dos times mais inexpressivos da NBA, Nenê entenda que jogar com o máximo de intensidade durante todo o tempo em que estiver em quadra possa ser a única chance de voltar a um time competitivo. Fazendo isso, ele tem condições de ser uma segunda opção de luxo ao franchise player John Wall.
A situação dos brasileiros é complicada: um corre o risco de não conseguir um lugar na NBA, enquanto o outro está abandonado em um lugar onde ninguém quer estar neste momento. A única chance dos dois é jogar tudo que podem.

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